Sobre a Infertilidade

Preservação da Fertilidade

Muitos casais param para pensar em sua fertilidade apenas quando surge o desejo de ter filhos. Antes disso, a preocupação, no geral, é com a prevenção da gravidez. A maioria das pessoas não sabe que é possível e necessário preservar sua fertilidade. Há uma série de atitudes que contribuem para que homens e mulheres mantenham por mais tempo sua capacidade reprodutiva, explica a médica Mariangela Badalotti, diretora do Fertilitat - Centro de Medicina Reprodutiva.

Conheça algumas dicas para preservar sua fertilidade:

  • Use camisinha - No Brasil, o fator tubário consequência de doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) ainda é a causa feminina preponderante de infertilidade. As DSTs são, também, a terceira maior causa de infertilidade masculina.
  • Não fume - O tabagismo reduz a fertilidade, tanto masculina quanto feminina. Mulheres fumantes têm 20% menos chances de engravidar do que as não-fumantes. O tabagismo pesado também interfere na produção espermática.
  • Não beba - Tanto homens quanto mulheres têm sua capacidade reprodutiva alterada pelo uso abusivo de álcool. No caso deles, pesquisas apontam para diferenças significativas nas taxas hormonais daqueles que consomem álcool frequentemente, especialmente bebidas destiladas.
  • Não use drogas - Drogas como maconha, crack e cocaína, por exemplo, afetam, e muito, a fertilidade dos casais, além de provocar uma série de outros problemas de saúde e comportamento.
  • Não deixe a gravidez para segundo plano - Adiar a maternidade já virou um hábito da vida moderna. No entanto, os casais precisam estar atentos para a queda de fertilidade comum ao avanço da idade. Nas mulheres, a fertilidade diminui a partir dos 35 anos e, mais bruscamente, a partir dos 40. Com os homens, isso também acontece, mas com um impacto menor.
  • Controle seu peso - O peso inadequado pode dificultar a gravidez. Cerca de 12% de todos os casos de infertilidade são resultado do aumento de peso ou magreza excessiva.

Congelamento de óvulos
O ritmo de vida dos casais modernos tem levado muitas mulheres a postergar a gravidez. Para preservar a fertilidade - que começa a diminuir bruscamente a partir dos 35 anos - uma das alternativas é o congelamento de óvulos.

O primeiro nascimento brasileiro, através do método lento, foi registrado no Rio Grande do Sul, em 2002, resultado do trabalho do Fertilitat.

A taxa de gravidez clínica com congelamento de óvulos é da ordem de 30%, o mesmo resultado obtido através do congelamento de embriões. É também uma alternativa ao congelamento de embriões, que gera 10 mil excedentes por ano apenas na América Latina.

A técnica consiste na aspiração dos óvulos e seu congelamento em nitrogênio líquido até o momento ideal para a fertilização. A forma de congelamento é que define a variação da técnica ? quando o processo é gradual, é chamado de congelamento lento; quando o processo é abrupto, é chamado de vitrificação.

Preservação da fertilidade para pacientes oncológicos
A evolução no tratamento do câncer representa uma nova chance de vida para as pessoas que enfrentam a doença. Além do crescimento das possibilidades de cura estimulado pela detecção precoce - o câncer de mama, por exemplo, é curável em 95% dos casos, se descoberto cedo - as pesquisas médicas têm contribuído para a elevação da qualidade de vida de quem vence a enfermidade.

Diferente de outros tempos, em que duras restrições eram necessárias aos sobreviventes da doença, hoje é com a realização de sonhos e de metas de vida que os pacientes comemoram o êxito do tratamento. Um dos desejos que costuma ser adiado pela descoberta do câncer é o de ter filhos. Por desconhecimento, inclusive, muitos casais acabam impossibilitados de procriar. Isso porque tratamentos como a quimio e a radioterapia, além do tratamento cirúrgico em si, podem comprometer a fertilidade, tanto masculina quanto feminina.

"Quem deseja ter filhos deve estar atento a isso. Uma das alternativas disponíveis hoje é o congelamento de gametas - óvulos ou espermatozóides - que deve ser realizado antes do início do tratamento para a doença", explica o médico Alvaro Petracco, diretor do Fertilitat - Centro de Medicina Reprodutiva, professor da Faculdade de Medicina da PUCRS e autor de tese de doutorado sobre a técnica de congelamento de óvulos. "Sugere-se que seja aguardado o tempo determinado pelo clínico ou oncologista da paciente para que se inicie o processo de fertilização", completa.

A preservação da fertilidade deve ser aconselhada para todos os pacientes jovens com câncer, que possam, em algum momento de suas vidas, querer procriar. "Muitas vezes, o paciente jovem ou mesmo sua família não têm essa preocupação, pois, no caso de muitos meninos, a paternidade ainda está longe. É fundamental lembrar que o congelamento de sêmen, antes do início do tratamento, poderá garantir a realização de um projeto pessoal importante no futuro", sublinha o médico Cláudio Telöken, urologista do Fertilitat e livre-docente da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).

Telöken salienta que muitos casais com histórico de câncer optam por não ter filhos, com receio de transmitir a doença aos filhos. "Este, como outros mitos, acaba influenciando negativamente essa decisão. No entanto, é preciso lembrar que o câncer não pode ser transmitido. O que há é uma predisposição genética para a doença", explica.

O Fertilitat foi um dos pioneiros no país a investir neste campo. A Clínica trabalha com congelamento de sêmen desde 1993 e com congelamento de óvulos desde 2000. O primeiro descongelamento de sêmen foi em 1999 e resultou na gravidez de um casal de gêmeos. Além disso, o Centro é responsável pelo primeiro nascimento através de congelamento de óvulos por técnica lenta do Brasil.

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