
O nascimento de Alvaro Santos, em 1989, representou um marco na história da medicina gaúcha.
No dia 23 de fevereiro, Alvaro Santos, o primeiro bebê concebido através de técnicas de reprodução assistida no Rio Grande do Sul, completa 20 anos. Seu nascimento, em 1989, no Hospital São Lucas, representou um marco na história da medicina gaúcha. “O tema ainda era pouco conhecido pelos profissionais da área e, menos ainda, pelos pacientes”, lembra o médico Alvaro Petracco, diretor do Fertilitat – Centro de Medicina Reprodutiva, responsável pelo tratamento do casal Iara e João Luís dos Santos, pais do menino.
“Acho muito bacana ter sido o primeiro bebê de reprodução assistida do Estado. É legal participar da história”, diz o jovem, que hoje estuda Economia na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Fã de surfe, ele costuma pegar onda em Imbé, cidade onde moram os pais e a irmã, aos finais de semana ou nas férias – atualmente, ele mora sozinho, em Porto Alegre.
O nascimento – Iara e João Luís queriam muito ter filhos, mas como ela acabara de passar por um quadro de endometriose que havia comprometido sua fertilidade, o sonho estava longe de se concretizar. “Foi um período muito difícil. Ninguém falava nisso, poucos conheciam as novas tecnologias de reprodução. Uma médica chegou a dizer que nunca teríamos filhos”, conta Iara.
Apostar em uma técnica à época pouco conhecida foi um ato de coragem e confiança. O filho tão desejado nasceu na terceira tentativa do processo GIFT – transferência intratubária de gametas. O primeiro bebê de reprodução assistida do Rio Grande do Sul foi fruto de uma gravidez bastante tranqüila e recebeu nota máxima no teste de Apgar, que avalia as condições do bebê no momento do parto.
Dificuldades – A dificuldade em engravidar não foi o único obstáculo enfrentado pelo casal. Como o assunto era desconhecido, algumas pessoas não entendiam. “Os mais antigos, até agora não sei se entenderam”, diz Iara, ressaltando que, hoje, essa realidade é diferente. “Acredito que hoje seja mais fácil. A infertilidade é uma das coisas mais tristes que pode acontecer a um casal e é maravilhoso que tenhamos alternativas como a reprodução assistida. Isso deve ser encarado com naturalidade, pois é algo muito normal, é um casal lutando pelo sonho de ter um filho. Não imagino minha vida sem meus filhos”. Depois de Alvaro, cujo nome foi escolhido em homenagem a Alvaro Petracco, Iara teve Gabriela, de concepção natural.
Evolução – “Quando iniciamos, no final da década de 80, as chances de sucesso eram de cerca de 10%. Hoje, o avanço da ciência nos permite chegar a 50%”, explica Petracco. A fertilização in vitro, o congelamento de óvulos, embriões, de sêmen ou tecido ovariano e a extração de espermatozóides do testículo, entre outras técnicas, ampliaram, e muito, as chances de ter filhos para casais que, em algum momento de suas vidas, se deparam com a infertilidade.
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