A atividade integrou a XVII Semana Acadêmica da Faculdade de Medicina da UPF e aconteceu no dia 1º de outubro.
A infertilidade, problema que atinge 15% dos casais em idade reprodutiva, foi o tema da palestra ministrada pelo ginecologista Alvaro Petracco, diretor do Fertilitat – Centro de Medicina Reprodutiva, em Passo Fundo.
De acordo com Petracco, que é doutor na área e professor da Faculdade de Medicina da PUCRS, cerca de 35% das causas da infertilidade são relacionadas à mulher; 35%, ao homem; 20%, ao casal; e, em 10% dos casos, elas não são encontradas. Alterações nas trompas, endometriose e problemas de ovulação, para mulheres; produção inadequada de espermatozóides devido à varicocele, para homens, estão entre as causas comuns. Seqüelas de doenças sexualmente transmissíveis, para ambos os sexos, também são um fator relevante para o comprometimento da fertilidade. “Entre os tratamentos possíveis, estão o medicamentoso, o cirúrgico e a reprodução assistida. Para essa última, as técnicas mais usadas são a inseminação artificial e a fertilização in vitro”, afirma.
Entre os tratamentos para os casais que não conseguem engravidar naturalmente, destaca-se o congelamento de óvulos – técnica na qual Petracco é pioneiro no País. O primeiro bebê brasileiro gerado através do congelamento de óvulos pela técnica lenta, em 2002, é resultado do trabalho do Fertilitat. Em sua tese de doutorado, defendida no início de 2006, junto à Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto, em São Paulo, o médico apresentou dados pioneiros sobre o assunto na América Latina e apontou a técnica como alternativa ao congelamento e à estocagem de embriões nos programas de fertilização assistida. “As taxas de fertilização, a qualidade embrionária, as taxas de gravidez e a implantação foram semelhantes entre embriões oriundos de oócitos criopreservados e embriões congelados”, explica Petracco.
O congelamento de óvulos é uma alternativa eficiente ao congelamento de embriões em vários aspectos. Há, no mundo, um número excessivo de embriões congelados, o que gera diversas discussões, inclusive acerca do descarte dos excedentes e dos direitos legais de herdeiros que ainda não existem de fato. A técnica não é mais sugerida apenas para casais inférteis, mas para aqueles que apresentam maior risco genético. “O congelamento de óvulos é, também, uma chance para os pacientes oncológicos”, diz o médico. Com a sobrevida aumentada, esses indivíduos podem recorrer ao congelamento antes de iniciarem tratamentos como quimioterapia ou radioterapia, que comprometem a fertilidade.
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