Aspectos emocionais devem ser considerados no tratamento da infertilidade

De acordo com a psicóloga Débora Farinati, um casal que procura auxílio médico por não estar conseguindo gerar traz consigo um universo de motivações, muitas delas inconscientes, a respeito do que significa querer ter um filho.

A infertilidade envolve uma série de aspectos emocionais que devem ser levados em consideração quando se dá início a seu tratamento. De acordo com a psicóloga Débora Farinati, membro da equipe do Fertilitat – Centro de Medicina Reprodutiva, desde um período muito cedo em seu desenvolvimento, muitas pessoas constroem um projeto de vida: esperam crescer, encontrar um par amoroso e com ele dar início a uma nova família.

“Desejar ter filhos e se deparar com uma impossibilidade neste processo produz uma ampla gama de sentimentos tais como: medo, ansiedade, tristeza, frustração, desvalia, vergonha, desencadeando por vezes quadros de estresse importante”, afirma.

A situação de infertilidade pode provocar efeitos devastadores tanto na esfera individual como conjugal, e mesmo desestabilizar as relações do sujeito com seu entorno social, podendo ocasionar um decréscimo na qualidade de vida. Segundo Débora, um casal que procura auxílio médico por não estar conseguindo gerar traz consigo um universo de motivações, muitas delas inconscientes, a respeito do que significa querer ter um filho.

“Muitos chegam pressionados pela família, pelo seu entorno social, sem saberem ao certo a diferença entre demanda de filho e desejo de ter uma criança. Entrar no campo do desejo é trilhar a história singular de cada indivíduo e buscar nela o significado de seus mais profundos anseios”, explica, salientando que a infertilidade pode desencadear a volta de antigos traumas, perdas, sentimentos de inadequação, ciúme e inveja.

Diante da perda ou da ameaça do poder de procriação, muitas vezes não se distingue o que causa maior sofrimento: a ausência do filho desejado ou os sentimentos de fracasso, perda e de insegurança que invadem o indivíduo nesta situação.

Mudanças positivas – No entanto, a situação da infertilidade pode desencadear mudanças positivas na vida, pois diante da situação de crise o sujeito é levado a rever suas posições e valores. “O casal poderá ver o laço que os une fortalecido, ampliando sua capacidade de enfrentar as adversidades, bem como somando forças para buscar realizar o desejo de parentalidade. A subjetividade e a singularidade de cada sujeito e de cada casal é que dará o tom de como a infertlidade será vivida e enfrentada”, conclui a especialista.


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