Neste artigo, a médica Mariangela Badalotti reflete sobre a maternidade nos dias atuais e explica como as mulheres podem preservar sua fertilidade
Há tempos o desejo de ser mãe não reina sozinho entre os principais anseios da mulher. Embora o sonho de constituir família e procriar ainda seja muito forte, ele disputa espaço com a construção da carreira, o reconhecimento profissional e as conquistas pessoais.
Trata-se de uma mudança significativa do contexto familiar, se pensarmos que, há cerca de 50 anos, as mulheres na faixa dos 30, em sua maioria, já tinham mais de um filho e ocupavam seu tempo apenas com os afazeres do lar. Além de uma revolução comportamental – muito bem-vinda – esta mudança exige das mulheres uma postura responsável em relação a sua saúde, em especial no que diz respeito à fertilidade.
A partir dos 35 anos, a fertilidade das mulheres começa a diminuir bruscamente. Essa baixa acontece também com os homens, mas em ritmo menos acelerado. Então, aquelas que desejam postergar a maternidade devem tomar alguns cuidados para frear este processo. Uma das principais precauções é evitar o tabagismo, mesmo que passivo. Mulheres fumantes têm 20% menos chances de engravidar do que as não-fumantes e, infelizmente, pouca gente sabe disso – em pesquisa realizada em Porto Alegre, 43% dos entrevistados desconheciam o fato. Os homens devem ter o mesmo cuidado, pois o fumo interfere na produção de espermatozóides.
Além do cigarro, é preciso estar alerta para a ingestão exagerada de álcool e para a drogadição – ambos aumentam muito a chance de infertilidade. No Brasil, o fator preponderante para a doença entre as mulheres é o fator tubário – conseqüência de doenças sexualmente transmissíveis. Logo, o uso do preservativo deve ser encarado, também, como uma forma de prevenir a infertilidade.
Para se ter uma idéia, no mundo, cerca de 60 a 90 milhões de casais sofrem com a infertilidade – este número representa entre 10 e 15% dos casais em idade reprodutiva. Para muitos deles, a doença representa um obstáculo importante para a concretização do sonho de uma vida toda. Com o avanço da ciência, a medicina consegue, cada vez com mais sucesso, auxiliar estas pessoas – as modernas técnicas de reprodução assistida são prova disso. No entanto, é equivocada a idéia de que a reprodução assistida ultrapassa facilmente qualquer barreira, como a idade avançada e hábitos agressivos à saúde. A mulher que deseja ter filhos mais tarde deve estar consciente destas dificuldades e manter um estilo de vida que ajude a minimizá-las.
Mariangela Badalotti
Ginecolgista, Doutora em Patologia, Diretora do Fertilitat - Centro de Medicina Reprodutiva.
| © Fertilitat - Por Aldeia - Agência de Internet | Mapa de Localização
Termos de Uso
Política de Privacidade |