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17.11.2017

Identificado gene fundamental para o desenvolvimento de embriões humanos

Os avanços da tecnologia aplicada à genética resultam em novos diagnósticos de doenças genéticas, na individualização de tratamentos farmacológicos e na compreensão de mecanismos envolvidos no funcionamento do corpo humano.

Recentemente, um grupo de cientistas de laboratórios ingleses, americanos e sul-coreanos identificou o papel fundamental de um gene para o início da embriogênese (formação do embrião) humana. Na experiência, foi utilizada uma técnica para “recortar” regiões selecionadas do genoma, chamada de CRISPR-Cas9. Dessa forma, foi eliminado de óvulos fertilizados o gene POU5F1 que codifica a proteína OCT4 (Octamer-binding transcription factor 4). Sem a OCT4, não houve desenvolvimento até o estagio de blastocisto. A partir daí, conclui-se que esse gene desempenha um papel fundamental na formação de embriões.

Após a fertilização do óvulo, divide-se durante sete dias e forma uma estrutura de cerca de 200 células chamada blastocisto. A pesquisa descobriu que embriões humanos precisam de OCT4 para formar corretamente um blastocisto.

Para a geneticista do Fertilitat – Centro de Medicina Reprodutiva, Maria Teresa Sanseverino, a aplicação da nova tecnologia de engenharia genética (a CRISPR-Cas9) tem permitido uma série de estudos e gerado novas informações sobre o papel biológico de vários genes. “Certamente veremos uma evolução muito rápida na compreensão dos mecanismos genéticos envolvidos em diversos fenômenos da medicina, inclusive na reprodução”, comenta.

É importante considerar que existe uma distância entre os estudos da ciência básica e sua aplicação imediata na prática clínica. “Há uma grande preocupação da comunidade científica com os desdobramentos éticos potenciais dessas novas tecnologias de engenharia genética, especialmente em relação à manipulação de embriões humanos. Mas, como todos os grandes avanços da humanidade, torna-se importante que a sociedade esteja atenta e participante na regulação de todos esses processos”, explica Maria Teresa.

Este foi o primeiro uso da edição de genoma para estudar a função precisa de genes em embriões humanos, o que pode ajudar os cientistas a entender melhor o desenvolvimento inicial e apoiar pesquisas de mutações genéticas.